Recentemente me vi envolvido em um debate sobre a possibilidade de encontrar vinhos franceses acessíveis no Brasil. Por “acessível” entede-se aqui boa qualidade por preços que cheguem à casa dos 100 Reais. Alguns fatos precisam ser levados em consideração nesta discussão:
1- Vinhos franceses de boa qualidade são, geralmente, caros.
Isto não significa que todo vinho caro é bom e nem que vinho mais barato é ruim. Mas não dá pra negar que os vinhos franceses são reconhecidamente caros, quando pensamos em opção de boa qualidade. Quero acreditar que o sucesso mundial dos vinhos do Novo Mundo acabará por influenciar positivamente neste ponto, além de forçar os produtores de vinhos mais em conta a prestarem maior atenção na qualidade daquilo que oferecem ao mercado mundial.
2- Vinho importado, no Brasil, é caro.
É triste, mas é verdade. A carga tributária, aliada a uma prática predatória de mercado por parte dos importadores, fazem com que nosso tão desejado vinho (apenas para falar do que nos interessa aqui) atinja preços muito acima de outros mercados. Penso que a qualificação do consumidor seja a solução para esta questão. Quando tivermos um público que consuma mais e melhor, o mercado terá que se comportar de modo mais aceitável.
3- No final das contas, o que importa mesmo é o tal “gosto pessoal”.
Cada dia que passa pego mais birra com a expressão “bom custo/benefício”. Benefício de quem, cara pálida? Ora, já vi muito vinho medíocre receber esta sofismática qualificação, pelo simples fato de que não se tinha nada melhor para falar do “dito cujo”. O que vai definir, para mim, se um vinho foi caro ou barato, no final das contas, será o prazer que ele me proporcionará ou não. Claro que dentro dos meus limites orçamentários. E este prazer pode ou não repetir-se em outras pessoas. Nada impede, nem nada garante. Portanto, devemos sempre ter muito cuidado ao debatermos questões de qualidade e preço dos vinhos.
Dito isto, creio que o título deste tópico já denuncie a minha posição quanto ao tema. Me parece perfeitamente possível, embora não fácil, encontrar bons vinhos franceses beirando os 100 Reais. Lembrei-me, por conta do debate, deste vinho recentemente degustado. Levando-se em consideração as características peculiares dos vinhos franceses (muitas vezes mal compreendidas por paladares quase que exclusivamente acostumados com vinhos do Novo Mundo), este é um belo exemplar de vinho “acessível” encontrado no Brasil. Pelo que pesquisei, a Grand Cru importa este rótulo por R$ 109,00.
Em 1990 a Vins et Vignobles Dourthe adquiriu o então Château Clos de la Tour, cituado em um ponto elevado da Village Salleboeuf, Bordeaux. Após uma disputa judicial que durou 10 anos com o Château Latour, mudou-se o para o atual Château Pey La Tour. É de lá que vem o Château Pey La Tour – Réserve du Château. Um AOC Bordeaux Supérieur, feito com 82% Merlot, 14% Cabernet Sauvignon, 3% Cabernet Franc e 1% Petit Verdot. 12 a 15 meses de estágio em barricas de carvalho, este vinho recebe a consultoria enológica do famoso (e controverso) Michel Rolland, o que significa, neste caso, um Bordeaux bastante característico, mas com potencial para agradar também aos que gostam dos vinhos do Novo Mundo. Elegante e vivaz.
O exame visual impressiona pela beleza de sua cor violeta. Transparente e muito brilhante, inspira a idéia de saúde. O aroma é frutado, com destaque para cereja, e apresenta também notas minerais (a sensação é de se estar em meio a uma colheita). Quanto ao paladar, impressionou-me perceber que o carvalho não predominou e a característica de baunilha é bastante sutíl. O primeiro ataque é plenamente frutado e só então surge algo de madeira. Bem estruturado, corpo médio para magro (o que não é nenhum defeito), tem acidez contida e taninos bastante macios. Um vinho verdadeiramente agradável de se beber.
Recentemente me vi envolvido em um debate sobre a possibilidade de encontrar vinhos franceses acessíveis no Brasil. Por “acessível” entede-se aqui boa qualidade por preços que cheguem à casa dos 100 Reais. Alguns fatos precisam ser levados em consideração nesta discussão:
1- Vinhos franceses de boa qualidade são, geralmente, caros.
Isto não significa que todo vinho caro é bom e nem que vinho mais barato é ruim. Mas não dá pra negar que os vinhos franceses são reconhecidamente caros, quando pensamos em opção de boa qualidade. Quero acreditar que o sucesso mundial dos vinhos do Novo Mundo acabará por influenciar positivamente neste ponto, além de forçar os produtores de vinhos mais em conta a prestarem maior atenção na qualidade daquilo que oferecem ao mercado mundial.
2- Vinho importado, no Brasil, é caro.
É triste, mas é verdade. A carga tributária, aliada a uma prática predatória de mercado por parte dos importadores, fazem com que nosso tão desejado vinho (apenas para falar do que nos interessa aqui) atinja preços muito acima de outros mercados. Penso que a qualificação do consumidor seja a solução para esta questão. Quando tivermos um público que consuma mais e melhor, o mercado terá que se comportar de modo mais aceitável.
3- No final das contas, o que importa mesmo é o tal “gosto pessoal”.
Cada dia que passa pego mais birra com a expressão “bom custo/benefício”. Benefício de quem, cara pálida? Ora, já vi muito vinho medíocre receber esta sofismática qualificação, pelo simples fato de que não se tinha nada melhor para falar do “dito cujo”. O que vai definir, para mim, se um vinho foi caro ou barato, no final das contas, será o prazer que ele me proporcionará ou não. Claro que dentro dos meus limites orçamentários. E este prazer pode ou não repetir-se em outras pessoas. Nada impede, nem nada garante. Portanto, devemos sempre ter muito cuidado ao debatermos questões de qualidade e preço dos vinhos.

Château Pey La Tour - Réserve du Château - 2006
Dito isto, creio que o título deste tópico já denuncie a minha posição quanto ao tema. Me parece perfeitamente possível, embora não fácil, encontrar bons vinhos franceses beirando os 100 Reais. Lembrei-me, por conta do debate, deste vinho recentemente degustado. Levando-se em consideração as características peculiares dos vinhos franceses (muitas vezes mal compreendidas por paladares quase que exclusivamente acostumados com vinhos do Novo Mundo), este é um belo exemplar de vinho “acessível” encontrado no Brasil. Pelo que pesquisei, a Grand Cru importa este rótulo por R$ 109,00.
Em 1990 a Vins et Vignobles Dourthe adquiriu o então Château Clos de la Tour, cituado em um ponto elevado da Village Salleboeuf, Bordeaux. Após uma disputa judicial que durou 10 anos com o Château Latour, mudou-se o para o atual Château Pey La Tour. É de lá que vem o Château Pey La Tour – Réserve du Château. Um AOC Bordeaux Supérieur, feito com 82% Merlot, 14% Cabernet Sauvignon, 3% Cabernet Franc e 1% Petit Verdot. 12 a 15 meses de estágio em barricas de carvalho, este vinho recebe a consultoria enológica do famoso (e controverso) Michel Rolland, o que significa, neste caso, um Bordeaux bastante característico, mas com potencial para agradar também aos que gostam dos vinhos do Novo Mundo. Elegante e vivaz.
O exame visual impressiona pela beleza de sua cor violeta. Transparente e muito brilhante, inspira a idéia de saúde. O aroma é frutado, com destaque para cereja, e apresenta também notas minerais (a sensação é de se estar em meio a uma colheita). Quanto ao paladar, impressionou-me perceber que o carvalho não predominou e a característica de baunilha é bastante sutíl. O primeiro ataque é plenamente frutado e só então surge algo de madeira. Bem estruturado, corpo médio para magro (o que não é nenhum defeito), tem acidez contida e taninos bastante macios. Um vinho verdadeiramente agradável de se beber.
Abraços
Marcelo Oliveira